sábado, 17 de março de 2012

Sete vezes sete dias


«Há ainda muitas raparigas bonitas, mas o amor está ausente. A legião dos perseguidores amadores está reduzida à expressão mais simples. Ninguém se beija nas ruas, poucas pessoas vagueiam. O Parisiense tornou-se mais arisco, magro, transparente e perspicaz. Ele que fazia de todos os estrangeiros amigos, conseguiu tornar bárbaros os estrangeiros. Como a maré, sobe ou desce quatro vezes por dia à rua, na ida e vinda do trabalho, com cara de formiga desconfiada.

Fora dos grandes centros metropolitanos – Châtelet, Opéra, République, Pigalle – a província faz-se sentir. A atmosfera é silenciosa e furtiva, e só a perturbam a sereia e os aviões. Montmartre continua barulhento e ao domingo reúne-se uma multidão à volta do saltimbanco que levanta uma barra falsa de cento e cinquenta quilos. Os pretos, as prostitutas e os chulos estão no seu lugar, mas estes trocaram o comércio da cocaína pelo do presunto e das peças de fazenda.»



Retirado do livro “Sept fois sept jours” de Emmanuel D’Astier.

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